Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Artigo

Sinais presentes em busca da harmonia

Jornal do Brasil Tarcisio Padilha Junior*

A sociedade moderna busca regular pacificamente os conflitos que a atravessam. Propõe que grupos se dobrem à negociação, procurem, através do diálogo, soluções aceitáveis por todos ou pelo maior número. 

Dificilmente se calcula até que ponto esse ideal, contrariado por pressão dos poderosos, constitui uma vitória contra as violências sociais. A institucionalização dos conflitos por parte da democracia, em nome de uma espécie de não violência implícita, busca encontrar decisões judiciosas mediante o debate tão largamente possível, desígnio progressivo da condição humana graças aos poderes do espírito.

A transcendência cristã contribui para a obra da paz, para a prática da tolerância esclarecida através de um amor que se impõe tão pouco, que aceita ser rejeitado e desfigurado no rosto do Crucificado. 

Sem propor o protótipo de uma sociedade perfeita, ajuda homens e mulheres a criar livremente seu futuro.

Deus não deve ser procurado no passado, mas numa irrupção presente, está sempre no meio de nós. É preciso procurá-lo onde ele se esconde, nomeadamente naqueles mais atingidos pelo abandono. Nosso próximo não é apenas aquele que está perto, pelos laços da família, da tribo, da vizinhança, da nação ou da religião, e sim aquele de quem nos aproximamos, mesmo que nenhum laço nos una a ele.

A fé não é distribuidor automático de respostas, dá um sentido agudo à responsabilidade pessoal. Por conseguinte, não equivale a revestir um equipamento completo de maneiras de tratar com outro. É mesmo surpreendente constatar a liberdade de Cristo relativamente às práticas religiosas do seu tempo.

É, então, na relação efetivamente vivida, no desenrolar do diálogo entre pessoas que se respeitam, que se descobrem as regras concretas a seguir para que o acordo se faça, inclusive sobre desacordos. Recebida numa linguagem, em costumes, em tradições culturais, ganha corpo a partir de nossa humanidade.

Uma vida que pressupõe sempre dupla polaridade: contemplação e ação, oração e caridade, esperança de Deus e atenção ao próximo, paixão do presente e aspiração do futuro. Não se trata de separar a vida em compartimentos estanques, mas de encará-la como passagem incessante entre polos.

Sinais presentes em gestos, como na maneira de votar, no comportamento com o dinheiro, na concepção da educação dos filhos, na atenção aos fenômenos de migração forçada e de novas pobrezas.

* Engenheiro



Tags: artigo, conflitos, jb, migração, sociedade

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