Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Ciência e Tecnologia

'Financial Times': Vacina contra Zika busca combater "fogo com fogo" 

México e Brasil são candidatos a receber os primeiros testes da vacina contra o víru

Jornal do Brasil

Matéria publicada nesta quarta-feira (19) pelo jornal Financial Times fala sobre pesquisas para vacinas que combatem o vírus Zika. 

Segundo a reportagem entre novembro de 2015 e janeiro de 2017 foram confirmados no México 7.634 casos autóctones de infecção pelo vírus da zika, enquanto no Brasil houve 214.193 casos em 2016, o que representa uma incidência de 104,8 casos para cada 100 mil habitantes.

Enquanto México, Brasil e outras partes da América Latina estiveram no epicentro da doença, a OMS diz que há evidências de Zika em 84 países. Destes, 31 casos relataram malformações do sistema nervoso central, como a microcefalia. 

Pesquisadores em laboratórios do mundo todo se mobilizaram e agora exitem cerca de 40 vacinas em processo de desenvolvimento, que possivelmente poderão combater o vírus Zika, embora nenhuma disponível antes de 2020.

FT afirma que cerca de 40 vacinas para combater o vírus Zika estão em processo de desenvolvimento
FT afirma que cerca de 40 vacinas para combater o vírus Zika estão em processo de desenvolvimento

México e Brasil são candidatos a receber os primeiros testes da vacina contra o vírus da zika, que podem acontecer em um ou dois anos, disse nesta terça-feira à agência Efe o cientista mexicano Arturo Reyes Sandoval, que desenvolve a imunização no Instituto Jenner da Universidade de Oxford.

"Temos como ideia principal realizá-los no México; é um dos países afetados pelo vírus da zika. O Brasil é outra opção que estou explorando, estabelecendo contatos para trabalhar", afirmou Reyes ao falar da pesquisa que lidera em laboratórios do Reino Unido.

Especializado em bacteriologia e parasitologia pela Escola de Ciências Biológicas do Instituto Politécnico Nacional (IPN), o mexicano, de 46 anos, calculou que serão necessários entre um e dois anos antes de ter a vacina pronta para levá-la do Reino Unido a outro país.

"Em menos de um ano não teremos os resultados da primeira fase do estudo para então iniciar o processo e testá-la em outro país", explicou.

O cientista comentou que a pesquisa está há um ano na chamada parte "pré-clínica", durante a qual foram revisadas 12 vacinas, entre as quais foram escolhidas as cinco "que mais protegiam, e uma delas nos dá proteção completa contra a zika".

Com os resultados, Reyes pediu apoio econômico do governo britânico para entrar na "fase clínica", que já envolve a produção da vacina para uso em humanos, o que ainda deve demorar uns dez meses.

A vacina "mais eficaz" será desenvolvida sob "boas práticas de manufatura", para garantir que esteja livre de poluentes que possam produzir uma reação alérgica, e depois serão pedidas as permissões para o teste clínico.

Esta etapa será realizada em Oxford com 30 voluntários que receberão uma dose para determinar os efeitos colaterais e o grau de resposta imunológica para neutralizar ao vírus, detalhou Reyes.

O cientista destacou que, apesar de dois ou três anos parecerem um período longo, o estudo está "avançando muito rápido" até chegar à fase de testes com humanos.

"Um, dois, três anos soa muito, mas em termos de desenvolvimento de vacinas é realmente pouco tempo", enfatizou o mexicano.

> > Financial Times 

Tags: ações, economia, Estados Unidos, interncional, mercado, tecnologia, trump

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