Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Mal desnecessário

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O que falta para que jogadores como Felipe Melo sejam definitivamente banidos dos campos? O que ele fez, com apenas três minutos de bola rolando; vou repetir, TRÊS MINUTOS, num lance trivial, na intermediária, é algo inaceitável em qualquer esporte que não seja disputado em ringues, octógonos e afins. Pior: não se tratou de uma atitude isolada em sua carreira. Não foi um momento de privação de sentidos, causado por uma agressão anteriormente sofrida ou pela extrema tensão de um jogo decisivo. Muito pelo contrário. Mal tinha começado uma partida que tinha tudo para ser tranquilíssima para o Palmeiras, não fosse o seu gesto tresloucado.


O absurdo foi apenas mais um em sua extensa folha corrida que, na atual temporada, já conta com 20 cartões de advertência (18 amarelos e dois vermelhos), em 36 jogos oficiais. Não custa lembrar, entre as inúmeras confusões em que já se meteu na vida, consta até a eliminação do Brasil numa Copa do Mundo, ao ser expulso, por pisar maldosamente um adversário, o holandês Robben. Como alguém ainda acredita e aposta nele?


Numa das últimas rodadas do primeiro turno, num jogo com o Flamengo, Felipe Melo deu uma entrada violentíssima no jovem Vinícius Jr, em mais um lance completamente sem sentido – junto à linha lateral do campo. Poderia ter causado uma contusão gravíssima e até mesmo encerrado ali o promissor futuro do garoto. Só não aconteceu porque os deuses do futebol protegeram o moleque, pois o carrinho foi selvagem, feroz, criminoso. Detalhe, em entrevista no dia seguinte, Melo disse que faria de novo!


Esse tipo de jogador truculento e desleal não cabe mais nos dias de hoje. A sociedade mudou, o futebol mudou, as transmissões de TV mudaram e o que em outros tempos acabava apenas em inflamadas discussões de bar (“entrou pra quebrar” contra “foi acidente de trabalho”), agora é escancarado e repetido à exaustão, nos muitos programas e mesas-redondas das televisões, em ângulos e replays que não deixam a menor dúvida sobre a maldade e a intensidade das atrocidades cometidas em campo.


Em recente entrevista, Felipe Melo, coitadinho, se disse perseguido pelos árbitros, por causa de sua imagem, segundo ele, distorcida. Mas quem chegou ao Palmeiras prometendo dar bofetões nos uruguaios e em quaisquer outros adversários que se colocassem em seu caminho? E quem disputa as divididas sempre com as travas das chuteiras em riste, os cotovelos e os punhos armados e a obsessiva intenção de, no mínimo, intimidar os rivais? E quem balançou os “balangandãs” pra torcida adversária, antes mesmo de começar o jogo? Pois é.


Por muito pouco, tal com a seleção de Dunga, na África do Sul, em 2010, o Palmeiras não viu o seu sonho ruir por conta de mais uma irresponsabilidade do “pitbull” ou do “cachorro louco”, como é chamado pela torcida. Alguém duvida de que, cedo ou tarde, acontecerá de novo?


E será bem-feito para aqueles que ainda contratam e apostam num selvagem furioso como Felipe Mello.


Oportunidade no Sul


A vitória sobre o Sport aliviou a tensão no Botafogo e o jogo de hoje, contra o Grêmio, na arena gaúcha, é aquela prova de fogo que, se superada, pode dar ao time de Zé Ricardo o ânimo necessário para buscar algo a mais do que apenas fugir da zona do rebaixamento no Brasileiro.


Tecnicamente, a equipe de Renato Gaúcho é superior à do Glorioso, mas o desgaste por uma classificação dramática, na Libertadores, e alguns desfalques, causados por contusões e uma venda (do volante Jaílson), podem facilitar um pouco a espinhosa tarefa dos cariocas, que tiveram uma semana inteira para treinamentos. O empate é um bom resultado no Sul, mas se o Botafogo entrar apenas para se defender, se complicará.


Confronto direto


Empatados em pontos (24) no meio da tabela, Vasco e Santos fazem hoje, em São Januário, um duelo direto que pode determinar quem vai respirar aliviado e quem continuará sendo assombrado pelo fantasma do rebaixamento. Em sua estreia em casa, Alberto Valentim terá dois reforços importantes: as voltas de Wagner, que tinha sido poupado por desgaste físico, e Maxi Lopez, que estava suspenso. Com o time de Cuca ainda abalado pela desclassificação traumática na Libertadores, acho que os vascaínos entram com leve favoritismo. A confirmar.


Mistérios da Colina


Reportagem de Bruno Marinho, no Globo, revela que R$ 4,3 milhões sumiram da contabilidade do Vasco, em 2016. É a maior parte do dinheiro a que o clube teve direito graças ao mecanismo de solidariedade da Fifa, por conta da venda de Alex Teixeira (criado nas categorias de base de São Januário). O Vasco diz ter recebido R$ 6 milhões, mas somente R$ 1,7 milhão constam no balanço publicado no ano seguinte. Em suma, R$ 4,3 milhões não foram registrados na contabilidade do clube. Na época, o Gigante da Colina era presidido pelo ex-deputado.


Não é a primeira vez que coisas estranhas como essa acontecem na Colina. No final da década de 90, quando da assinatura do primeiro contrato de patrocínio do clube, à época com o Nations Bank, parte substancial da milionária verba de US$ 34 milhões foi parar em contas nas Bahamas e em Miami. Das quais o clube nunca ouvira falar, como admitiu, em entrevista, o então presidente Antônio Soares Calçada.



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