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Renato Mauricio Prado

Conspiradores e conspirações

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A Confederação Brasileira de Futebol é um câncer que precisa ser extirpado, sob pena de tornar cada vez mais medíocre o esporte por aqui. Dirigida, por trás das cortinas, por um ex-presidente banido pela Fifa e procurado pelo FBI, em nada ajuda os clubes e, na verdade, nem a própria seleção, que é, ao mesmo tempo, sua menina dos olhos e galinha dos ovos de ouro. Para faturar com ela, não hesita em expô-la contra adversários ridículos, prejudicando a célula mater da bola, que sãos os clubes, formadores dos jogadores.

A recente negativa em transferir a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, entre Flamengo e Corinthians, para uma data mais do que plausível (de 12 para 19 deste mês) é apenas mais uma amostra de como a confederação que deveria ser a primeira a defender o interesse de seus filiados não está nem aí pra eles. Pode-se argumentar que os corintianos não quiseram a mudança (embora também tenham que jogar desfalcados de um titular, Fagner). Mas a sensação que fica, desde a malfadada convocação, é que há um claro interesse em favorecer o Palmeiras, único dos quatro semifinalistas a não ter ninguém na lista de Tite. Coincidentemente, é o clube de coração do banido, mas ainda todo-poderoso, Del Nero.

Façamos um exercício de lógica simples. Para um torcedor palmeirense, qual seria a final dos sonhos desta Copa do Brasil? Contra o Corinthians, claro, numa esperada revanche do último campeonato paulista, até hoje, atravessado na garganta de seus torcedores, por causa da polêmica anulação de um pênalti marcado a seu favor. Quem pode atrapalhar tais planos? Cruzeiro e Flamengo, ambos desfalcados de jogadores muito mais importantes do que Fagner e, teoricamente, adversários mais difíceis.

Teoria da conspiração? Talvez. Mas como é mesmo que os nossos cartolas corruptos são chamados no processo americano? Conspiradores 1, 2, 3, 4... Não custa botar as barbas de molho.


Qual o melhor?


Eliminado da Libertadores, resta ao Flamengo lutar pelos títulos do Brasileiro e da Copa do Brasil. Nenhum dos dois será fácil. O primeiro, naturalmente, seria mais importante; mas o segundo está mais próximo – faltam apenas quatro jogos para atingir o objetivo - e, financeiramente, renderia bem mais: o campeão embolsa R$ 50 milhões. Qual será o preferido do torcedor rubro-negro?

Pessoalmente, acho o heptacampeonato brasileiro incomparavelmente melhor que o tetra da Copa do Brasil. O problema é que o segundo parece mais palpável. Mas o diabo, mesmo, é que, na atual administração, levantar canecos tem sido bem mais raro do que acumular vices e frustrações. As chances de acabar mais uma temporada com as mãos abanando ainda são consideráveis...

Xô, baixo-astral

O jogo de hoje, às 11 horas, no Maracanã, parece perfeito para o Flamengo afastar o baixo-astral pela eliminação precoce na Libertadores. Na rodada passada, o Ceará, do folclórico técnico Lisca doido, vendeu caro a derrota por 1 a 0 para o São Paulo, no Morumbi, mas ainda assim não é aceitável para o rubro-negro outro resultado que não seja a soma de mais três pontos, que podem ajudá-lo a ultrapassar o Internacional (se o Cruzeiro ajudar) e a encostar no São Paulo (caso o Fluminense consiga arrancar ao menos um empate lá na casa dos líderes).


Para que isso aconteça, urge que o treinador estagiário Maurício Barbieri consiga tornar o seu time mais objetivo no ataque que, com essa mania de toquinhos pra lá, pra cá e pra trás e chuveirinhos constantes, tem se tornando um autêntico cemitério de centroavantes. Qual será o boi de piranha da vez? Contratado para ser o substituto de Paolo Guerrero, o colombiano Uribe sequer foi relacionado para o último jogo. Periga ser titular, logo mais...


Palhaçada colorida


E as chapas da situação e da oposição rubro-negras se digladiando por causa da cor azul, nas eleições do fim do ano? Que coisa mais patética, ridícula! Se fossem, de fato, do ramo, escolheriam uma o negro e a outra o vermelho. E se houver uma terceira, que seja branca. Ponto final.


Quem não tem cão...


Sem Pedro, o Fluminense vai enfrentar o líder São Paulo com Kayke no comando do ataque. Há uma diferença abissal entre a capacidade técnica dos dois, mas o reserva, que começou no Flamengo e, posteriormente, teve boa passagem pelo rubro-negro, como reserva de Paolo Guerrero, não é um bode cego. Muito pelo contrário. Sabe fazer gols. O problema é que me pareceu meio fora de forma, acima do peso, inclusive, na estreia. A conferir, hoje, no Morumbi.


Se o Ceará, vice-lanterna do campeonato, conseguiu dar tanto trabalho ao time de Nenê e Diego Souza, por que o tricolor também não pode sonhar ao menos com um pontinho nesta rodada? O jeito é jogar fechadinho e sair em contra-ataques rápidos. Quase funcionou contra o Cruzeiro, no Mineirão.


Imbecis juramentados


E ainda tem torcedor que diz que gostaria de ter Felipe Melo em seu time.



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