Jornal do Brasil

Futebol & Cia

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Renato Mauricio Prado

Contra tudo e contra todos

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O Flamengo começa a decidir hoje, contra o Corinthians, no Maracanã, a sua sorte em 2018. Derrotado no Carioquinha, eliminado na Libertadores e em queda livre no Brasileirão, restou ao Mais Querido a Copa do Brasil, cujas semifinais se iniciam esta noite. É um torneio no qual o rubro-negro tem história: já foi campeão três vezes e vice em quatro ocasiões (inclusive no ano passado). É também o título mais importante da administração Bandeira de Mello em cinco anos e meio (conquistado em 2013) e pode salvar a última temporada do atual presidente. Já se perder...
Para apimentar ainda mais a ocasião, o jogo desta noite está carregado de polêmicas: da questão da arbitragem, entregue a um juiz que nem é do quadro da Fifa e já se enrolou na última vez que apitou um jogo do Fla (contra o Palmeiras, na última rodada antes da Copa); do desgaste de Lucas Paquetá e de Cuéllar, que só chegarão ao Brasil hoje; e da possível escalação do lateral Fagner, do Corinthians, cortado da seleção de Tite por causa de uma contusão que, teoricamente, o afastaria dos gramados por pelo menos três semanas, mas acabou curada em prazo bem menor.
Por tudo isso, o Flamengo emitiu até nota oficial de protesto e o técnico Maurício Barbieri deu inflamada entrevista, protestando contra o calendário, a possível escalação de Fagner e a escolha do árbitro do jogo. É compreensível e esse clima de contra tudo e contra todos pode até ser positivo, se transformado em motivação sadia. Mas é perigoso, pois corre o risco também de ser prejudicial, se os jogadores entrarem em campo excessivamente “pilhados”, principalmente, contra a arbitragem. O capitão Diego, na maioria das vezes, tão esquentado, que o diga.
O que o Fla precisa fazer, esta noite, é jogar bola, coisa que não tem feito, nas últimas rodadas. Se o fizer, pode vencer e até garantir uma boa vantagem para a partida da volta, pois o Corinthians, além de andar em má fase, tem um time tecnicamente inferior ao rubro-negro. Mas, insisto, é preciso deixar as polêmicas do lado de fora do gramado e jogar a bola que, ao menos no papel, o time ainda tem condições de jogar.


O último a sair apague a luz
Wagner pediu rescisão de seu contrato com o Vasco devido a inúmeros atrasos nos pagamentos de salários, direitos de imagem e depósitos de FGTS. Se a moda pega, não sobrará ninguém em São Januário. E o panorama não é diferente no Fluminense e no Botafogo. O futebol carioca, à exceção do Flamengo, está completamente falido. E nenhum dos três têm a menor perspectiva para resolver o imenso buraco financeiro em que estão metidos.


Domínio avassalador e inédito
Nunca na história do tênis, três jogadores dominaram de forma tão avassaladora os torneios de Grand Slam. Além de ocuparem as três primeiras posições entre os maiores ganhadores (Roger Federer, com 20; Rafael Nadal, com 17, e Novak Djokovic, com 14 – empatado com Pete Sampras), eles praticamente monopolizam os principais títulos do circuito. Desde que Federer venceu o seu primeiro Slam, em Wimbledon 2003, o trio abiscoitou nada menos do que 51 dos 62 torneios disputados! Nem nas eras de Connors, Borg, McEnroe e Lendl ou Becker, Edberg, Sampras e Agassi houve tamanho predomínio.
Quem foram os poucos que “furaram” tal reinado? Andy Roddick (US Open 2003); Marat Safin (Austrália 2004); Gastón Gaudio (Roland Garros 2004); Juan Martín del Potro (US Open 2009); Marin Cilic (US Open 2014), Stan Wawrinka (Austrália 2014, Roland Garros 2015 e US Open 2016) e Andy Murray (US Open 2012 e Wimbledon 2013 e 2016).
Nas duas últimas temporadas, só deu Roger, Rafa e Nole.


Bom dia a cavalo
Tite está tão perdido, mas tão perdido, que anda dando bom dia a cavalo. Foi ridícula e sem sentido a resposta que se meteu dar ao presidente dos EUA, Donald Trump, estendendo a mão espalmada, para lembrá-lo que o Brasil tem cinco títulos mundiais.
Recordando: ao entrevistar Trump, durante a visita do presidente da Fifa à Casa Branca, a repórter brasileira Raquel Krahenbuhl, da Globo News, se identificou, dizendo que era do Brasil e completou: “Nós temos a melhor seleção do mundo”; ao que Trump rebateu, sorrindo: “Vocês tiveram alguns probleminhas recentemente”.
Que probleminhas, não disse. E embora o treinador da seleção tenha enfiado a carapuça, achando que o presidente se referia à recente derrota na Copa da Rússia, a minha impressão (e a de gente bem-informada na terra do Tio Sam) é que o presidente se referia ao gigantesco escândalo de corrupção no futebol, revelado pelo FBI, no qual a CBF está enrolada até o pescoço, tendo, inclusive, um ex-presidente encarcerado nos EUA e outros dois foragidos no Brasil.
Ah, sim quando, na mesma entrevista coletiva, se perguntou a Tite sobre o constrangimento que a prisão de Marin poderia causar nesta excursão, ele preferiu não falar sobre o tema. Até as serpentes que o técnico costuma encantar ficaram coradas...


Botox na grama?
Como estará o péssimo gramado do Maracanã, esta noite? Prometeram fazer nele uma “plástica reparadora de emergência”. O estado lastimável da grama daquele que já foi um dia o maior e mais bonito estádio do mundo é a cara desse consórcio que o dirige e, por que não dizer, da administração do Rio de Janeiro. Uma lástima!



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