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Felipe Ribbe

Como se preparar para o mercado de trabalho do futuro?

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Quando se fala em revolução digital, muito se comenta sobre mudanças organizacionais, ganhos de produtividade e reduções de custos nas empresas. Porém, um assunto que às vezes é deixado de lado – com importância igual ou até superior – é como será o mercado de trabalho nos próximos anos e décadas, com tecnologias como inteligência artificial e robótica sendo adotadas cada vez mais por companhias dos mais diversos setores.

O tema “Futuro do Trabalho” rende estudos de pesquisadores de todo o mundo e, por se tratarem de previsões, as conclusões diferem bastante entre si. Alguns têm um tom mais apocalíptico, de que serão milhões de desempregados e a desigualdade social crescerá a níveis ainda mais alarmantes que os atuais; outros apostam que muito mais vagas serão criadas do que eliminadas e que as pessoas poderão dedicar mais tempo para fazer o que amam.

Um estudo da consultoria McKinsey aponta que, em 60% das ocupações existentes ao redor do mundo, um terço das atividades tem potencial de ser automatizado. Ou seja, ao invés de serem substituídas por uma máquina, as pessoas têm muito mais chances de trabalharem ao lado delas. É claro que empregos cujas atividades sejam repetitivas e burocráticas são mais suscetíveis à automação, então profissões como operador de telemarketing, contador e analista de crédito correm mais risco; outras, como médicos, dentistas, enfermeiros e professores nem tanto, pelo menos em um futuro próximo.

Para quem trabalha com computação, inteligência artificial ou robótica certamente não faltarão oportunidades nas próximas décadas. No mesmo estudo, a McKinsey afirma que os gastos das empresas com tecnologia devem crescer mais de 50% até 2030, com potencial de gerar entre 20 e 50 milhões de novos postos de trabalho globalmente na área.

Mas para quem não for especialista em tecnologia, como então se preparar para o mercado de trabalho do futuro? Novamente, prever o que vai acontecer daqui para frente é muito difícil, mesmo no curto prazo, já que vivemos uma época de constantes e rápidas transformações. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que estão entrando no Ensino Fundamental vão trabalhar em atividades que ainda nem existem. Você pode achar esse número exagerado, mas pense no seguinte: há 15 anos não havia redes sociais e, hoje, inúmeras pessoas ganham dinheiro sendo youtubers ou influenciadores digitais. Há 5 anos, o Uber ainda não havia entrado no Brasil; hoje são mais de 500 mil motoristas no país, isso sem contar outros aplicativos, como 99 e Cabify. Na China, como algumas empresas começaram a usar drones para entregar mercadorias em locais de difícil acesso, surgiu a profissão de piloto de drone e cursos que oferecem essa formação.

Apesar da dificuldade de previsão, o próprio Fórum Econômico Mundial listou as 10 principais habilidades que um profissional deve ter para se manter relevante na próxima década: solução de problemas complexos; pensamento crítico; criatividade; gestão de pessoas; coordenação com outros (colaboração); inteligência emocional; bom senso e capacidade de decisão; orientação para servir; negociação; e flexibilidade cognitiva. Todas elas são incapazes de ser reproduzidas por máquinas, pelo menos até que se crie uma inteligência artificial geral, o que não deve acontecer tão cedo.

Porém, mais do que desenvolver essas habilidades, talvez a forma mais importante de se adaptar ao mercado de trabalho do futuro seja por meio do aprendizado constante, durante toda a vida, justamente porque, em função das rápidas transformações que o mundo passa, o conhecimento relevante de hoje pode se tornar obsoleto amanhã. O escritor e futurista americano Alvin Toffler foi autor de uma frase que define bem o momento em que vivemos: “O analfabeto do Século 21 não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”.



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