Jornal do Brasil

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Editorial

Tempo para decidir

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Já que chegamos ao ponto em que faltam exatos dois meses para que se processem as eleições majoritária e proporcional, é desejável que tenha se esgotado a bagagem de surpresas e dúvidas que até aqui vinham cercando as conversações e os conciliábulos. Não é sem tempo. É o mínimo que se poderia desejar, a fim de que o eleitorado tenha, a seu favor, paz suficiente para avaliar as candidaturas que lhe são propostas. O exame mais acurado dos nomes conhecidos até agora seria impossível, graças a um clima de indefinições raramente constatável em pleitos anteriores; o que, aliás, se evidenciou, com incontestável clareza, quando se estimou que metade dos cidadãos com direito ao voto prometiam anulá-lo, ou simplesmente abster-se. O que preocupa, mesmo que a raiva e a decepção possam ser passageiras para muitos deles.  

A reta final da campanha, que começa com a decisão das convenções de homologação, é um curto tempo de 45 dias para a formulação de juízos quanto à competência dos candidatos, sobretudo em relação àqueles que estão chegando para postular a Presidência da República. Deles, o que por hora se conhece são ideias e objetivos superficialmente alinhados, sem detalhamentos quanto às estratégias pretendidas e ao necessário contorcionismo ante os obstáculos; o que não basta, considerando-se que nossos problemas vão exigir que o presidente vá fundo em todos os terrenos. Quem vota tem direito a todos os detalhes.

Na divisa bimestral para separar a eleição, o que talvez possa trazer alguma indicação, também esta insuficiente, é o perfil dos candidatos, se situam-se à direita, ao centro ou à esquerda, algo para sensibilizar alguns eleitores de viés ideológico, mas detalhe pobre, quando se trata de administrar uma nação inteira.

Há quem discorde, principalmente entre parlamentes, de estar muito reduzido o tempo reservado à propaganda, e na sustentação desse ponto de vista, formulam entendimento de que a televisão e o rádio têm força para suprir o que sem eles seria impossível obter na divulgação das propostas de governo. O argumento é só um pedaço da verdade, porque a imagem e o som, se ajudam, não conseguem dar à população votante a essência, o conteúdo dos projetos de governo. Os recursos eletrônicos ajudam a mostrar, mas também contribuem para mascar. E os debates entre candidatos já revelaram limitações, por causa da prioridade na distribuição do tempo entre eles; e ainda pior: apenas formulam perguntas aos adversários que desejam ver embaraçados. No jogo da malandragem, o mais esperto e loquaz acaba se saindo melhor para o público, ainda que injustamente.

No rol das responsabilidades do voto, quando inspirado em razões honestas, é preciso cuidar de impedir que o partido tenha um peso superior à qualificação do concorrente, ainda que esse peso fosse desejável na eleição proporcional, a via pela qual se organizam os parlamentos.

Ocorre que nossos partidos conseguiram ampliar sua inutilidade na mesma proporção em que foram se tornando numerosos. O que está muito claro na atual campanha: embaraçados na construção de alianças, com quadros limitados, nada têm a dizer ou formular diante das dificuldades nacionais. São fraquíssimos quanto a ideias, embora poderosos e ditatoriais se estão a serviço de esquemas, o que se confirmou na semana passada, quando o PSB desmontou, em decisão verticalmente cirúrgica, suas candidaturas, já plenamente em curso, aos governos de Minas e Pernambuco. Paradoxal esse contraste. Soberanamente ausentes e omissos em tudo, mas ágeis e precisos, quando convier. Viu-se agora o que já se viu muitas vezes.

Portanto, a política nacional já criou surpresas e revezes para gerar tensões na sucessão presidencial. Basta.



Tags: editorial, eleições, jb, política, voto

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