Jornal do Brasil

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

País - Editorial

Por uma reforma partidária

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Esse quadro político que precedeu a convocação das convenções ajuda a ampliar a frustração de alguns dos mais qualificados e operosos cientistas políticos, que insistem na tese, fartamente sustentada, de que aos partidos da atualidade já não bastaria simples recauchutagem, mesmo que tenham caminhado longamente. O que a experiência recomenda, na estrutura que os sustenta, é que alguns sejam extintos, por provarem sua inutilidade, embora com grande forma para cobrar; quanto aos que puderem sobreviver, que sejam então convenientemente reorganizados. Mas até que isso aconteça, a política do país continuará se debatendo com dois problemas: o imediato, que é a fragilização das bancadas no Congresso, onde os partidos tornaram-se menos importantes do que os grupos em que se dividiram; e o problema mediato, que acumula dificuldades para retardar aquele que certamente seria o mais importante item da esperada reforma política, isto é, nossa evolução para o parlamentarismo. A realidade assegura a evidência de que essas numerosas legendas deixaram notável contribuição para a falência do presidencialismo.

Partidos fracos, artificiais na sua essência, representam uma das principais fontes de desserviço à política nacional. E, quando são parte do poder, por força de alianças eleitorais, como as que acabam de nascer, tornam-se mais exigentes que produtivos. Nesse particular, conceda-se ao presidente Temer um lugar no altar do martírio, porque ninguém mais que ele concedeu e cedeu, e nem por isso gozou da reciprocidade nos seus momentos de turbulência.

O que, então, prenuncia o quadro reservado ao sucessor? Nada que possa recomendar diferente sorte. Se por nenhuma outra razão, considere-se que as previsões indicam modesta renovação no Congresso Nacional, onde os veteranos, muito mais que os novatos, sabem como cobrar e como atender; ou nem uma coisa nem outra. Quanto aos oposicionistas, preferem desempenhar o papel que Joaquim Nabuco execrava: gritam, apenas pelo fato de não serem convidados para o banquete.

Tomem-se como dado para orientar receios os candidatos à Presidência da República já lançados. O futuro presidente nem precisou ser eleito para degustar o amargo-jiló que será a convivência com políticos profissionalizados. Primeiro, a difícil arquitetura das alianças, que foram pulverizando, por onde passaram, variadas dúvidas quanto aos pilares e fundações do edifício sucessório que ajudaram a erguer. Depois, quase concomitantemente, os avanços e retrocessos, estes mais frequentes que aqueles na definição de nomes para a vice-presidência. Sem que se relegue a importância do companheiro de chapa, pronto para eventualidades, observaram-se casos de precipitação, por causa da exiguidade do tempo e das cobranças do calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Algumas definições quanto aos vices deixaram exposta a emergência, com casos em que a escolha não foi do total agrado dos titulares. Observe-se que os projetos aliancistas de hoje assemelham-se aos amargos xaropes ministrados nas fazendas: descem goela a baixo...

Já muitas vezes citada, mas sem que se peque pelo excesso, a fragilidade das composições levadas aos convencionais foi mais que suficiente para que o presidente eleito se cerque de especiais cuidados, principalmente quando tiver de conviver com momentos de grande tensão política. Naquelas quadras críticas, se deputados e senadores da aliança não puderem ajudar e se não dificultarem já estarão em bom tamanho, para repetir o que sugeria neste Rio a velha experiência de Chagas Freitas.



Tags: candidatos, editorial, eleições, jb, presidência

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