Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

Futebol & Cia.

Renato Mauricio Prado


Um bofetão na nuca

Jornal do Brasil

Não acredito que Neymar realmente tenha achado graça na onda mundial de “memes” ridicularizando suas quedas e simulações na Copa do Mundo. Ao dizer, há poucos dias, que até ria com as brincadeiras (que são, na verdade, críticas escancaradas ao seu comportamento), o craque tentou minimizar sua importância. A notícia, divulgada ontem, de que não foi incluído na lista dos dez jogadores que concorrerão ao prêmio de craque da temporada da Fifa, mostrou-lhe, com todas as letras, que a coisa é bem mais séria do que pensava. E se ele não entender o recado e modificar rapidamente a sua postura egocêntrica e narcisista será difícil que continue a fazer tanto sucesso no mundo do futebol, do esporte em geral e, consequentemente, da publicidade.  

Em um colégio eleitoral de 13 votos, no qual o Brasil tinha a maioria dos votantes, as chamadas “Lendas da Fifa” (três, contra dois da Itália, e apenas um da Alemanha, da Costa do Marfim, da Inglaterra, da Arábia Saudita, da Nigéria, da Coreia do Sul, da Escócia e da Nova Zelândia), só mesmo uma rejeição em massa seria capaz de deixá-lo fora de uma relação na qual, pelo talento que tem, deveria estar presente. Parreira, Kaká e Ronaldo, os brasileiros, o incluíram em suas listas dos dez melhores. Já os outros...

É claro que o desempenho de vários dos escolhidos na recém-encerrada Copa foi determinante – e Neymar não brilhou na Rússia, muito pelo contrário. Mas Lionel Messi e Mohamed Salah também fizeram um Mundial opaco e, no entanto, estão lá. O que existe, claramente, é uma considerável rejeição ao brasileiro, que passou a ser visto como farsante, egoísta, desagregador e prima-dona. Não sem motivo... 

A coisa tomou tal dimensão que até superestrelas de outros esportes já criticam o nosso camisa dez. Perguntado, recentemente, se gostaria de vê-lo no Real Madrid, o tenista espanhol Rafael Nadal, madridista assumido e apaixonado, disse, polidamente: “Não sei se apreciaria isso”. Opiniões como a dele fizeram o presidente do clube, Florentino Perez, desistir de contratá-lo para substituir Cristiano Ronaldo. 

O tal papo arrogantemente estúpido de que Neymar sempre foi assim e obteve sucesso, portanto não há motivo para mudanças, não faz mais nenhum sentido. Na verdade, nunca fez, a não ser na cabeça torta do pai do craque, que o influencia (negativamente, na maioria das vezes) em tudo. O estrago é gigantesco e a não inclusão de Neymar na lista dos dez melhores soa como um bofetão de alerta em sua nuca.

É preciso recuar dois passos, voltar a jogar bem e demonstrar arrependimento, humildade, companheirismo (com muitas bolas tocadas pro Cavani e pro Mbappé) e, acima de tudo, parar de bancar o cachorro atropelado a cada vez que sofre um encontrão ou uma falta. 

Como diz uma linda letra de Paulo Vanzolini: “Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

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Aposta 

Considerado pelo departamento de futebol rubro-negro o substituto ideal de Vinícius Jr., Vitinho está sendo contratado por 10 milhões de euros, menos de um terço do que o clube recebeu pela sua maior revelação da base nos últimos anos (45 milhões de euros). Como é um jogador jovem (tem apenas 24 anos), pode ser até que ainda dê lucro, numa negociação futura. Mas, para isso, precisará jogar o futebol vistoso e eficiente que o caracterizou quando surgiu no Botafogo. Sua passagem recente pelo Internacional já não foi tão boa. Estava no time que foi rebaixado há dois anos. Com as recentes contratações, o rubro-negro ensaia um ataque com Everton Ribeiro, Uribe e Vitinho – dificilmente Guerrero continuará depois do final de seu contrato em agosto. E os jovens Lincoln e Vitor Gabriel continuam de lado...

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Sonho adiado 

Assim como Neymar, o técnico Tite também ficou fora da lista dos 11 melhores treinadores eleitos pelo colegiado de “Lendas da Fifa”. Um banho de água fria em quem tinha o sonho de sair da Copa credenciado a dirigir um dos gigantes europeus. O fracasso de Neymar e Cia. respingou no treinador, entre outras coisas, por seu comportamento pusilânime no trato com o principal craque e seu pai, que gozava de todos os privilégios possíveis e imagináveis no ambiente da seleção. Em menor escala, Tite também precisa reavaliar, e modificar, muito do seu comportamento.

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Fora, guru! 

O técnico de Novak Djokovic, Marian Vajda, conta agora que uma das condições que impôs para voltar a trabalhar com o tenista foi que ele se afastasse do tal guru Pepe Imaz, adepto da filosofia de paz e amor nas quadras e na vida:

“Se você quer ser o melhor, faz isso com repetições nos treinos, jogos e uma mentalidade forte. Quando você vê o outro lado (da quadra), tem que concentrar em tirar o adversário da posição, onde jogar a bola, e não pensar em Buda” – disparou em entrevista ao site eslovaco “Sport.sk”. 

Sabe tudo, o Vadja.

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Rodada 

Meus palpites para os jogos dos cariocas, pelo Brasileiro, no meio de semana: Fluminense 1 x 1 Palmeiras; Santos 1 x 2 Flamengo e Botafogo 2 x 0 Chapecoense. Se minha bola de cristal quebrar, dou a mão à palmatória.



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