Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Vá com Deus, Guerrero!

Jornal do Brasil

Ao que tudo indica, chegou ao fim o ciclo de Paolo Guerrero no Flamengo. Não dá pra dizer que foi uma época gloriosa. Longe disso. Em três temporadas, ganhou apenas um título do carioquinha o que, convenhamos, não é nada para um reforço contratado a peso de ouro e que chegou à Gávea como salvador da pátria e fama de goleador implacável. Com a camisa rubro-negra, não foi uma coisa, nem outra. Em 115 jogos, marcou apenas 43 gols. Nenhum decisivo ou especialmente importante.

Guerrero ainda é um bom jogador – chegou a ser ótimo, quando mais novo. Por isso, o defendi durante tanto tempo. Não marca muitos gols, é verdade, mas sabe cobrar faltas muito bem, dá ótimos passes e atua como pivô, prendendo seus marcadores e abrindo espaços para os que chegam de trás. Após três anos, contudo, é forçoso reconhecer que seu custo-benefício com a camisa rubro-negra decepcionou. Ainda mais quando se lembra das repetidas ausências por cartões amarelos, convocações para jogar pela seleção peruana, contusões e, por fim, a longa suspensão por doping, até hoje não resolvida.

Tecnicamente, o peruano é superior a Henrique Dourado e Fernando Uribe e, ao menos por enquanto, sua experiência ainda o coloca em um patamar superior ao do jovem e promissor Lincoln. Mas, aos 34 anos, seu “pacote” não vale a pena. Até porque beiram a insanidade as exigências que fez para renovar – um contrato de três temporadas, com o clube ainda sendo obrigado a pagar os salários relativos ao tempo em que esteve suspenso. Só um louco aceitaria tais condições. Inviáveis, sob qualquer ponto de vista.

A melhor coisa que o Flamengo pode fazer agora é despedir-se dignamente de Guerrero, dando-lhe um tapa de luva de pelica pela atitude, no mínimo suspeita, de alegar uma contusão, para não completar o sétimo jogo no Brasileiro, o que o impediria de se transferir para outro clube daqui.

É hora de abrir espaço para outra valiosa joia de suas categorias de base: o artilheiro Victor Gabriel, mais um representante da talentosa geração rubro-negra nascida em 2000, como Vinícius Jr. O garoto tem uma raça impressionante e faz gol de tudo quanto é jeito – foi o artilheiro e um dos principais destaques no título da última Copinha levantada pelo Fla. Para muita gente boa, ele tem até mais futuro que Lincoln.

Assim sendo, vá com Deus, Guerrero! E seja bem-vindo, Victor Gabriel.

Saldo negativo

Apesar do empate heroico, no primeiro jogo contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, o saldo do dificílimo mês de agosto para o Flamengo começou negativo. Apenas um ponto em dois jogos disputados no Sul (ambos com o tricolor gaúcho) e a perda da liderança do Brasileiro para o São Paulo. Uma boa vitória sobre o Cruzeiro, hoje, pela Libertadores, no Maracanã, pode começar a virar esse jogo. Principalmente, se houver outro triunfo, contra o mesmo adversário, no domingo, pelo Campeonato Brasileiro, novamente no Maraca.

Sem Lucas Paquetá, muito provavelmente, Barbieri escalará Jean Lucas em seu lugar – e aí, em sua verdadeira posição, o elegante volante pode render mais do que rendeu, substituindo Diego, contra os reservas do Grêmio. Gostaria que o treinador optasse também pela juventude, no comando do ataque, permitindo a Lincoln que, enfim, começasse uma partida importante entre os titulares. Temo, entretanto, que a opção continuará a ser por Uribe, que não jogou nada no sábado passado.

O Cruzeiro tem tudo para ser um adversário dificílimo e, não custa lembrar, na Libertadores ainda existe o gol qualificado, ou seja, se os mineiros marcarem hoje, complicarão bastante o duelo da volta, em Belo Horizonte. Se quiser obter um resultado positivo, o Fla tem que repetir a atuação dos últimos 25 minutos, no primeiro confronto contra o Grêmio. Se entrar de salto alto, como no último, adeus...

Loucura

O Vasco enfrenta a LDU amanhã, pela Sul-Americana, tentando reverter uma desvantagem de 3 a 1, construída no primeiro jogo, no Equador. Graças ao gol marcado fora, os vascaínos se classificam se ganharem por 2 a 0. Não é impossível. Mas, haja o que houver, não faz o menor sentido o disse-me-disse que anda correndo em São Januário, de que Jorginho pode ser demitido, caso não conquiste a vaga.

Sensacional

Uma dica imperdível do amigo jornalista Alexandre Cossenza: se você gosta de tênis, não pode deixar de assistir a um documentário espetacular que foi exibido, em julho, no Tennis Chanel e na BBC e já está disponível no Itunes. Chama-se “Strokes of Genius”, é baseado no livro do mesmo nome, escrito por L. Jon Wertheim, e tem como tema aquela que é considerada por muitos a maior partida de todos os tempos: a final de Wimbledon, em 2008, entre Rafael Nadal e Roger Federer – vencida pelo espanhol, num duelo épico e magistral.

Entre imagens dos lances mais espetaculares, Rafa e Roger lembram detalhes psicológicos do confronto e do relacionamento de ambos. E outros superastros do esporte recordam também as suas maiores rivalidades, como John McEnroe e Bjorn Borg e Martina Navratilova e Chris Evert. Um espetáculo. Que não deve demorar a ficar disponível também nos serviços de streaming, como a Netflix ou o Now. Olho vivo!



Tags: brasileirão, flamengo, futebol, guerrero, vasco

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