Jornal do Brasil

Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

Um submarino a Propulsão Nuclear e 50 anos a propulsão de muito amor

Jornal do Brasil

UM FATO novo mobiliza as academias, universidades e pesquisadores, sobretudo dos estados de toda a imensa costa brasileira. Trata-se do submarino brasileiro à propulsão nuclear, que vem sendo desenvolvido no Brasil pela Marinha brasileira, com técnicos brasileiros formados e treinados no exterior, constituindo um patrimônio intangível, que se traduz em 1.140 funcionários altamente qualificados... ISSO SE DEU graças a um acordo assinado com a França em 2008, para a construção de cinco submarinos. Quatro submarinos convencionais e um à propulsão nuclear e tecnologia brasileira. De modo discreto, disciplinado e tenaz, cumprindo metas e datas, alcançando objetivos, como é bem o perfil daquela força naval brasileira... O PROGRAMA DE CONSTRUÇÃO do Submarino bem como o Programa Nuclear da Marinha vêm sendo cercados de curiosidades e indagações, o que levou a Marinha, através de seu diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico, almirante de esquadra Bento Albuquerque, aceitar os convites da sociedade para sua apresentação à comunidade científica e acadêmica deste país, em encontros sempre muito concorridos, com palestras que entusiasmam a todos que as assistem... IDÉIA IMPULSIONADA NOS governos Lula, por iniciativa e empenho do então comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura, o projeto do submarino nuclear é fruto da preocupação da Marinha com a defesa nacional, valendo lembrar que, desde os primórdios dos anos 2000, ela passou a colocar em relevo a importância de nossas águas territoriais, batizando-as de Amazônia Azul... ASSIM COMO a Amazônia Verde, ela é uma região vital para nosso futuro, por suas riquezas (vide o pré-sal), as linhas de comunicação marinha e por ser parte de nosso território, e isso não pode ser esquecido. Quem ama cuida ou, mais popularmente, o olho do dono engorda o gado... O SUBMARINO NUCLEAR será o nosso olho marinho, atento e alerta, considerando que nossa economia é totalmente dependente do comércio, do qual 95% são transportados pelo mar, sendo que 10% de carga mundial passam por portos brasileiros... SABE-SE QUE a maior defesa para essa área marítima é com o emprego de submarinos. Os submarinos convencionais têm limitações que só são superadas pela propulsão nuclear, que permite geração de energia independente do ar. Permite ainda maiores velocidades com mobilidade estratégica impressionante, e possibilita à Marinha cobrir áreas extensas de operações. O Submarino Nuclear é tudo de bom... ENFRENTAR ESSE desafio não foi um salto às cegas. Em 1979, em parceria com o Instituto de Pesquisa Energética e Nuclear, a Marinha iniciou seu programa nuclear em parceria com o Instituto de Pesquisa Energética e Nuclear, com a pretensão de dominar o ciclo do combustível e o projeto de reatores... UM PROGRAMA NÃO apenas militar, mas em benefício de toda a sociedade brasileira. Nos últimos 10 anos, além dos impactos tecnológicos ao país o programa da Marinha envolveu cerca de 700 empresas nacionais, 18 universidades e institutos de pesquisa e, pasmem, cinco mil empregos diretos e 12.500 indiretos... O PROGRAMA desenvolveu a capacidade de projetar e construir reatores e seus combustíveis, capazes de gerar energia, que são a base do desenvolvimento, embora, no Brasil, 76% da matriz energética ainda advenham de hidrelétricas e apenas 2,2% da energia nuclear... “É UM PARADOXO que um país com a sétima reserva de urânio do mundo, onde a geração nuclear poderia ter papel importante na nossa matriz energética, provendo energia por 100 anos, apresente esses dados”, opina o almirante Bento, para quem o investimento em tecnologia nuclear é um compromisso com as gerações futuras, pois a diversificação da nossa matriz energética significa também segurança... O PROGRAMA NUCLEAR da Marinha obedece a todos os preceitos legais e da Constituição. Já passou por mais de 300 inspeções - anunciadas e não anunciadas - pela Agência Internacional de Energia Atômica e pela Agência Brasil Argentina de Contabilidade e Controle, sem qualquer incidente... ISSO E MUITO mais está sendo apresentado em palestras pelo almirante Bento pelas capitais brasileiras. Já houve apresentações no Rio de Janeiro, no Clube de Engenharia do  Brasil; em julho passado, em Fortaleza, a convite das academias Nacional de Engenharia e Cearense de Engenharia, bem como da Federação das Indústrias do Ceará... HOJE, A PALESTRA “O programa Nuclear da Marinha e o programa de desenvolvimento de submarinos” será em Pernambuco, no Recife, sob auspícios da Academia Pernambucana de Engenharia, do CREA de Pernambuco e diversas outras academias, a começar pela Nacional de Engenharia, a Brasileira e a Pernambucana de Ciência Agronômica, a Pernambucana de Química, o Departamento de Energia Nuclear, o Clube de Engenharia de Pernambuco... LISTA DE NOMES nem sempre agrada ao leitor. Mas é meu desejo que vocês percebam a importância que está sendo dada a esse evento pelas nossas comunidades científica e acadêmica. Um país se constrói com realizações. Esta é uma realização de respeito... NAS FOTOS da página vemos vários almirantes e professores com suas esposas. Momento de descontração, brindes, alegria. Celebrava-se o sucesso do andamento do projeto do Submarino Nuclear, sim, mas havia outro motivo particularmente importante: as bodas de ouro dos caros amigos de todos os presentes, Sheila e Júlio Soares de Moura, o almirante ex-comandante...

Legendas abaixo

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: O ATUAL COMANDANTE DA MARINHA DO BRASIL, ALMIRANTE LEAL FERREIRA, E CRISTIANI; ALMTE. CELSO NAZARETH E FÁTIMA; ALMTE. BENTO ALBUQUERQUE JR.; SHEILA SOARES DE MOURA E PROF. PAULO CÉSAR CORRÊA LOPES; NINA CORRÊA LOPES E ALMTE. JÚLIO SOARES DE MOURA; CRISTIANI LEAL FERREIRA; KENYA ARAGAO E ALMTE. HUMBERTO RUIVO; CECÍLIA RUIVO E PROFESSOR ARAGÃO; O BRINDE; MARIZA E ALMTE. HIRSHFIELD, COM MARCIA ALBUQUERQUE; LENISE FIGUEIREDO E O JORNALISTA JORGE ROBERTO MARTINS; HILDE ANGEL E CATITO PERES

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UM PROJETO DE LEI foi apresentado ontem pelo deputado estadual Gilberto Palmares para que o sistema VLT forneça, durante a viagem, além do aviso sonoro de alerta o fechamento e abertura das portas, informações as atrações turísticas, museus, teatros, centros culturais e prédios históricos, no entorno das duas linhas em operação. 

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Com João Francisco Werneck



Tags: caderno b, cultura, hildegard, nuclear, submarino

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