Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Influência do Jazz

Influência do Jazz

Thiago Goes


A autenticidade de Cécile McLorin Salvant

Jornal do Brasil

“Uma cantora assim aparece a cada uma ou duas gerações”. Foi dessa maneira que Wynton Marsalis, premiado trompetista americano e diretor-artístico do “Jazz at Lincoln Center”, em Nova York, definiu Cécile McLorin Salvant. Sempre que uma cantora nova aparece, as comparações com as divas do passado são inevitáveis e nomes como Bessie Smith, Nina Simone, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, entre outros, surgem para rotular os novos talentos. Mas Cécile não parece preocupada com isso. E nem deve.

Estudante de música clássica na infância, a cantora, inicialmente, enxergava seu futuro voltado para a Literatura ou para o Direito. Foi no verão de 2007, na França, estimulada por Jean-François Bonnel, seu professor de improvisação, que ela finalmente abriu seus horizontes para o universo do jazz e decidiu seguir adiante. 

Divulgação

A americana, de 28 anos, filha de uma francesa com um haitiano, teve uma trajetória meteórica, saltando em oito anos de uma cantora desconhecida para uma das mais premiadas da atualidade. Dona de um estilo inimitável, Cécile consegue a façanha de transitar em conexões entre jazz, vaudeville, blues e folk, de maneira quase teatral, saltando de uma voz de garotinha para o grave aveludado em segundos ou dando nova vida a canções escritas há mais de um século. Tudo isso sem perder a estirpe de uma verdadeira cantora de jazz no modo clássico.

Da vitória em 2010 na competição internacional do Thelonious Monk Institute of Jazz até os dias de hoje, foram quatro discos lançados, que lhe renderam dois Grammy de melhor álbum cantado de jazz (em 2016, por “For one to love”, e, em 2017, por “Dreams and daggers”, ambos da Mack Avenue Records, sendo o último recém-premiado pela “Downbeat” como melhor álbum do ano 2017-2018). 

O potencial da cantora deixa inquieto o mercado. Se, com apenas alguns anos de carreira, ela já figura entre as maiores cantoras da atualidade, o que poderá ser feito nos próximos dez anos?

Símbolo do feminismo e engajada em causas políticas, Cécile busca claramente uma representatividade cada vez maior na cultura e na defesa das mulheres negras. Com seus inconfundíveis óculos, ela já afirmou que ainda está longe do auge de sua música, e que seguirá trabalhando de maneira obsessiva em busca do horizonte ideal. 

“A arte não tem tempo nem idade”, costuma dizer. 

Ainda bem. 

BEBOP 

JAZZ NO CINEMA 

Inspirado pela sugestão da leitora Valentina Mourão, está aberta a votação para o melhor filme sobre jazz de todos os tempos. Os nomes podem ser enviados para o e-mail da coluna até a próxima sexta-feira, e o filme vencedor vai ganhar um resumo na próxima semana. Já fiz a minha escolha e vocês? 

A DIVA E O SAMBA 

Numa linda homenagem aos poetas do samba Nelson Cavaquinho e Cartola, a diva do jazz Leny Andrade se apresenta nesta sexta-feira, no Blue Note Rio, ao lado do maestro e pianista Gilson Peranzzetta, celebrando 40 anos de amizade e parceria. Ingressos e informações em www.bluenoterio.com.br. 

JAZZ NO LEME 

O bistrô Gaia Art & Café, no Leme, promove todas as quintas-feiras o “Gaia Jazz”, das 19h às 22h, com clássicos de Miles Davis, Herbie Hancock, entre outros, além de homenagens a Tom Jobim e à Bossa Nova. Informações: 2244-3306.



Tags: caderno b, cultura, jazz, música, samba

Compartilhe: