Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Jazz

Chucho Valdés e Joe Lovano formam quinteto

Luiz Orlando Carneiro

O incrível pianista cubano Chucho Valdés – filho do não menos notável Bebo (1917-2013) – completa 75 anos neste domingo (9/10), na véspera de iniciar uma turnê de 15 dias pela Europa. Em novembro, sua agenda inclui apresentações em auditórios norte-americanos tão respeitados como o Berklee Performer Center, em Boston, e o San Francisco Jazz Center. E, last but not least, uma “residência” de seis noites (22/11 a 27/11) no clube Birdland, em Nova York.

A grande novidade é que, nesses compromissos, o pianista, compositor e band leader, cinco vezes vencedor do Grammy de melhor álbum de Latin jazz, estará à frente de um quinteto coliderado por outra eminente figura do jazz contemporâneo: Joe Lovano, 64 anos, no auge do seu prestígio, mais uma vez eleito o saxofonista tenor número um do planeta jazz no recém-publicado referendo anual dos críticos promovido pela revista Downbeat.

Do anúncio feito pelo SF Jazz Center da próxima apresentação do quinteto Lovano-Valdés na Golden City vale destacar o seguinte trecho: “Lovano é o herdeiro legítimo da linhagem que vai de Coleman Hawkins e Dexter Gordon a John Coltrane e Sonny Rollins. O nativo de Cleveland gravou mais álbuns como líder para a Blue Note do que qualquer outro artista”.

O saxofonista também arrebatou um Grammy, em 2001, na categoria “large jazz ensemble”, com o CD 52nd Street Themes, à frente de um oiteto. E consagrou-se em definitivo com o seu quinteto US Five - integrado por James Weidman (piano), Esperanza Spalding (baixo) e dois bateristas (Ottis Brown III e Francisco Mela) – que registrou para a Blue Note os álbuns Folk Art (2009), Bird Songs (2011) e Cross Culture (2013).

Em Cross Culture, Lovano deu especial realce a seu fraseado exploratório e imprevisível, não só em matéria de timbres, mas também na interação quase sempre fervilhante com o piano e com os percussionistas. E também voltou a usar, em algumas faixas, o estridente aulochrome (sax soprano duplo) e o taragato (uma espécie de clarinete húngaro).

Neste novo quinteto com o ebuliente Chucho Valdés tudo indica que o saxofonista vai se deixar envolver pela “afrocubanidade” do pianista-compositor, que ficou famoso no comando da banda Irakere, por ele fundada há 40 anos, e pela qual passaram músicos do primeiro escalão como o saxofonista Paquito D´Rivera e o trompetista Arturo Sandoval. E não é por acaso que o quinteto Valdés-Lovano tem na seção rítmica, além do baterista Francisco Mela, os também cubanos Gastón Joya (baixo) e Yaroldi Abreu Robles (percussão).

Apesar de Lovano e Valdés terem muitos discos no catálogo da Blue Note como líderes (20 e 7, respectivamente), esta é a primeira vez em que estarão tocando lado a lado em público, e certamente dispostos a registrar o inesperado consórcio.

(Vídeo de 2m49 de um ensaio da dupla Joe Lovano-Chucho Valdés em: vimeo.com/146411169)

Tags: Artigo, coluna, jazz, JB, luiz, orlando

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