Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Jazz

Irmãs Jensen juntas de novo em 'Infinitude'

Luiz Orlando Carneiro

As irmãs canadenses Ingrid e Christine Jensen são jazzwomen da “Primeira Liga”, respeitadas, ouvidas e aplaudidas não só na América do Norte como também em festivais, concertos e clubes mundo afora.

A trompetista Ingrid, 50 anos, é uma das principais solistas da inebriante orquestra de Maria Schneider, estrela há muito tempo imbatível nas eleições promovidas pela revista Downbeat dos “melhores do ano”, nas categorias big band, compositores e arranjadores. E na divisão dos pistonistas, no mais recente critics poll da DB, Ingrid foi a nona mais votada, logo depois de Terence Blanchard, e à frente de barbados do prestígio de Christian Scott, Wallace Roney e Roy Hargrove.

Ingrid (trompete) e Christine (saxes) lideram quinteto com Ben Monder (guitarras)
Ingrid (trompete) e Christine (saxes) lideram quinteto com Ben Monder (guitarras)

A saxofonista (alto e soprano) Christine, 46 anos, baseada em Montreal, vem se destacando cada vez mais como compositora-arranjadora à frente de sua própria orquestra de 19 integrantes - incluindo a irmã - documentada em dois ótimos álbuns editados pela refinada etiqueta Justin Time: Treelines (2010) e Habitat (2013).

No formato pequeno conjunto, Ingrid e Christine gravaram o disco Flurry/Nordic Connect (ArtistShare, 2007), com a pianista sueca Maggi Olin (colega da trompetista nos anos de estudo no Berklee College), Jon Wikan (bateria) e Mattias Welin (baixo).

As irmãs reaparecem nas lojas virtuais, neste início de novembro, no CD Infinitude (Whirlwind), coliderando um quinteto de concepção diferente, incluindo o renomado guitarrista Ben Monder – pródigo em efeitos sônicos, e tocando também a Hamertone guitar, instrumento híbrido, resultante da fusão bandolim-guitarra de 12 cordas. O baixista canadense Frase Hollins e o baterista Wikan – marido de Ingrid – completam o combo.

Das notas de apresentação de Infinitude vale destacar o seguinte trecho: “A particular sincronia existente no grupo é assim expressa por Christine (compositora de cinco das 10 peças do álbum), ao descrever o ambiente como tendo menos a ver com solos do que com a ênfase na pergunta: 'Como vamos mergulhar nesta piscina e nadar juntos?' A imersão resultante (dos mergulhos), gravada em estúdio durante dois dias (julho de 2015), soa, ao mesmo tempo, viva e orgânica, com Ingrid confirmando a sua relação íntima com a irmã”.

As faixas iniciais da setlistBlue yonder (7m10) e Swirlaround (8m25), são de autoria da saxofonista (alto na primeira, soprano na segunda), e resumem bem a atmosfera das sessões, variando do impressionismo típico das requintadas sessões da ECM Records a efeitos sônicos inesperados criados por Ben Monder e Ingrid Jensen. A trompetista assina três peças, dentre elas a última do disco, Dots and braids (7m05), em hipnótico diálogo com o sax alto da irmã.

O guitarrista Monder é o autor da exótica Echolalia (9m15), enquanto o inesquecível trompetista canadense Kenny Wheeler (1930-2014) é homenageado pelo quinteto com uma recriação bem free da sua composição Old time(5m50).

(Samples de Infinitude podem ser ouvidos em: www.whirlwindrecordings.com/infinitude/)

Tags: Artigo, coluna, jazz, JB, luiz, orlando

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