Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Jazz

Emily Bear, a nova garota-prodígio do jazz

Luiz Orlando Carneiro

No planeta jazz, Joey Alexander, hoje com 13 anos, é o garoto-prodígio do momento. Sob a proteção de Wynton Marsalis, o pianista nascido na Indonésia radicou-se com a família nos Estados Unidos portando um visto “0-1” (para estrangeiros de “extraordinária habilidade”). E já lançou pelo selo Motéma dois CDs (My Favorite Things, 2015;Countdown, 2016) que tiveram indicações para o Grammy, e chegaram a ocupar os primeiros lugares nas listas daBillboard dos discos de jazz mais vendidos.

Com menos repercussão – mas merecendo muita atenção dos jazzmen e da crítica especializada – uma garota apenas dois anos mais “velha” do que Joey já engrenou uma carreira bem além de promissora. Trata-se da também pianista/compositora Emily Bear, natural de uma cidade do Illinois onde ainda tem endereço, embora esteja quase sempre fora de casa, tocando música clássica e jazz mundo afora.

Pianista de 15 anos lança 'Into the Blue', com cinco composições de sua autoria
Pianista de 15 anos lança 'Into the Blue', com cinco composições de sua autoria

Na biografia de Emily, publicada pelo Departamento de Música da New York University, lê-se que ela tinha sete anos quando fez o seu debut orquestral, interpretando o Concerto nº 23 de Mozart. E que, com nove anos, no Carnegie Hall, foi a solista de Peace: We Are the Future, uma composição de sua autoria, para orquestra e coro de 220 vozes.

O eminente Quincy Jones, mentor e produtor da garota-prodígio, assim a qualificou: “Com a habilidade de mover-se, sem nenhum problema, do clássico para o jazz, ela mostra ter tanta destreza quanto pianistas/compositores que têm o dobro de sua idade (…). Ela é incrível… E não há limites para as alturas musicais que pode atingir”.

O primeiro álbum de Emily Bear de ampla distribuição foi Diversity (Concord Jazz, 2013), em trio, com uma seleção de 13 composições de sua autoria. E ela volta às lojas virtuais, neste início de ano, num pequeno CD/EP (Edston Records),Into the Blue, que contém cinco novas peças de sua lavra, além de uma brilhante interpretação de My favorite things. No novo trio estão o baixista Peter Slavov (do atual quarteto de Joe Lovano) e o baterista Mark McLean.

As cinco composições da pianista teenager são as seguintes: Old office (3m40), impulsionada por acordes rímicos que remetem a A night in Tunisia, de Dizzy Gillespie; Je ne sais pas (5m05), de melodia e batida em clima de “bossa nova”; Indigo (4m30), tema também meio “bossa”, mas de melancolia mais acentuada; Araingnée (2m45) – “aranha”, em francês – uma adaptação feita por Emily da trilha sonora que fez para um filme animado sobre duas aranhas em disputa para criar teias inspiradas em obras de arte famosas; Tiger Lily (3m40), tema que lembra It's over now, de Thelonious Monk, desenvolvido pela pianista num toma-lá-dá-cá com o baterista McLean.

No ano passado, Emily Bear foi a vencedora do prêmio da ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers) na categoria “jovens compositores de jazz”. No júri, entre outros, dois celebrados músicos de jazz: o violinista Mark Feldman e o baixista Rufus Reid.

(O CD/EP Into the Blue está disponível no Spotify. A faixa Old Office pode ser ouvida em: soundcloud.com/search?q=old%20office)

Tags: Artigo, coluna, jazz, JB, luiz, orlando

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