Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Jazz

John Scofield ganha o principal Grammy do jazz

Luiz Orlando Carneiro

A carreira de John Scofield, 65 anos, atingiu o topo de visibilidade no último domingo. Ele repetiu o feito do ano passado, e conquistou o 59º Grammy na categoria “melhor álbum de jazz instrumental” com o CD Country for Old Men(Impulse). Em fevereiro de 2016, na mesma disputa, sempre na seara do jazz, o celebrado guitarrista ganhara idêntico “gramofone de ouro” por conta do álbum Past and Present (Impulse), que marcou o seu reencontro com o grande saxofonista Joe Lovano.

Neste ano, Scofield conseguiu ainda um segundo Grammy, na categoria “melhor solo improvisado de jazz”: o seu solo, no mesmo Country for Old Men, na interpretação do tema I'm so lonesome I would cry.

Como comentei nesta coluna em 2015 (17/10), o então recém-lançado Past and Present, contendo nove peças compostas pelo guitarrista-líder, registrou a magnífica atuação de um quarteto boppish e bluesy, interativo e cinético, em face do peso no processo criativo das personalidades dos sidemen Joe Lovano, Larry Grenadier (baixo) e Bill Stewart (bateria).

Guitarrista repetiu o feito do ano passado com o CD 'Country for Old Men'
Guitarrista repetiu o feito do ano passado com o CD 'Country for Old Men'

Já o agora também consagrado Country for Old Men, que foi distribuído a partir de setembro do ano passado, apresenta material melódico e clima bem diferentes, com Scofield à frente de um quarteto com Larry Goldings (órgão Hammond, piano), Steve Swallow (baixo) e o fiel baterista Stewart. É uma espécie de homenagem do guitarrista à música countre a alguns dos seus nomes mais conhecidos, como Dolly Parton, Hank Williams e James Taylor. Ou seja, é jazz do bom, mas climatizado com aqueles twangs típicos da country music.

A conquista do novo Grammy por “Sco” foi muito valorizada em face do alto gabarito dos músicos e respectivos álbuns selecionados para a final do melhor CD de jazz instrumental do ano: Nearness (Nonesuch), do duo Brad Mehldau (piano)-Joshua Redman (saxes); Sunday Night at the Vanguard (Palmetto), do trio de Fred Hersch; Book of Intuition(Impulse), do trio do também notável pianista Kenny Barron.

Nas outras categorias jazzísticas do 59º Grammy (2016-2017) os discos premiados foram os seguintes: Presidential Suite: Eight Variations on Freedom (Motéma), da Ted Nash Big Band (“Best large jazz ensemble”); Take Me to the Alley (Blue Note), de Gregory Porter (“Jazz vocal album”) e Tribute to Irakere: Live in Marciac (Jazz Village) do pianista-bandleader Chucho Valdés (“Latin jazz album”).

Presidential Suite do saxofonista, compositor e chefe de orquestra Ted Nash é considerada a sua obra mais significativa. Inspirada em retumbantes discursos políticos do Século 20 sobre o tema da liberdade, a suíte é dividida em faixas que se iniciam com a leitura de trechos de pronunciamentos de Franklin Roosevelt, John Kennedy, Nelson Mandela e Aung Sun Suu Kyi na interpretação de convidados como Andrew Young e Glenn Close, dentre outras figuras de renome nos Estados Unidos. 

(A faixa Faded love do CD Country for Old Men pode ser ouvida em:

http://www.jazzmusicarchives.com/mp3/john-scofield/6633)

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