Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Jazz

Duchess: Um trio vocal de sucesso

Luiz Orlando Carneiro

Nas décadas de 30 a 50 do século passado, nos tempos do swing e da brilhantina, não eram incomuns trios vocais femininos. Na área do jazz e arredores, o conjunto The Boswell Sisters foi o mais conhecido por volta de 1935.

Contudo, foram grupos mistos que acabaram empolgando os jazzófilos, sobretudo a partir do sucesso, nos anos 60, do trio Lambert (Dave), Hendricks (Jon) & Ross (Annie), que adaptou muito bem à linguagem melódico-harmônica dobebop scat singing (improvisação vocal onomatopaica) e o vocalese (criar letras e vocalizá-las a partir de solos instrumentais anteriormente gravados). Os Swingle Singers - fundado em Paris em 1962 - e o Manhattan Transfer – primeira formação de 1969 a 1971 – são até hoje os combos do gênero mais ouvidos no planeta jazz.

Amy Cervini, Hilary Gardner e Melissa Stylianou lançam segundo CD: 'Laughing at Life'
Amy Cervini, Hilary Gardner e Melissa Stylianou lançam segundo CD: 'Laughing at Life'

Mas a antiga tradição dos trios femininos vem sendo renovada, nos últimos anos, por Amy Cervini, Hilary Gardner e Melissa Stylianou. Elas uniram suas vozes e seus talentos no Duchess – trio vocal que começou a se apresentar no 55 Bar de Nova York, e cujo primeiro CD (Duchess, Anzic Records) foi lançado em 2015.

As envolventes jazz singers voltam este mês às lojas virtuais com o álbum Laughing at Life, também editado pela Anzic, etiqueta da grande clarinetista Anat Cohen. Desta vez, o Duchess tem o apoio básico de uma seção rítmica integrada por Michael Cabe (piano), Matt Aronoff (baixo) e Jared Schonig (bateria). O guitarrista Jesse Lewis e o saxofonista Jeff Lederer atuam em várias das 12 faixas do disco. Dois convidados muito especiais enriquecem a setlist: Anat Cohen em Everybody loves my baby (3m10) e We'll meet again (2m55); o trombonista Wycliffe Gordon emStars fell on Alabama (4m25) e Creole love call (5m55).

A performance fora de série do trio Duchess no álbum Laughing at Life deve-se, em grande parte, aos arranjos e à produção do compositor-pianista Oded Lev-Ari, israelense radicado em Nova York, sócio de Anat Cohen na Anzic Records, e marido da vocalista Amy Cervini. Ele consegue, com engenho e arte, revirar o baú do passado, recolher peças esquecidas e lhes dar um brilho novo, cintilante.

Além das faixas acima citadas, o trio Cervini-Gardner-Stylianou – com o apoio da ativa seção rítmica e da criatividade do saxofonista Jeff Lederer em quatro números – interpreta standards bem conhecidos como On the sunny side of the street (3m50) e Ev'ry time we say goodbye (5m), de Cole Porter. A faixa-título desse segundo CD do trio vocal Duchess, Laughing at life (6m05), é uma canção que Billie Holiday gravou com Lester Young nos anos 30-40. Here's to the losers(4m55) integrava o repertório de Frank Sinatra. Hallelujah I love her (him) só (3m30) é um tema de Ray Charles da década de 1950.

As moças do Duchess têm espaço para exibir suas vozes em solos, com realce para Amy Cervini em Give him the Oo La La (3m40), de ColePorter; Melissa Styilianou em Where would you be without me? (3m05); e Hilary Gardner emHallelujah.

(Quatro faixas do CD Laughing at Life podem ser ouvidas em: http://anzicstore.com/album/laughing-at-life)

Tags: Artigo, coluna, jazz, JB, luiz, orlando

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