Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Música em Pauta

Música em Pauta

Mariana Camargo


Violoncelos! O show não pode parar

Jornal do Brasil

O cello (abreviação do termo italiano “violoncello”) é um dos instrumentos mais elegantes e charmosos, com timbre inimitável, profundo, rico e capaz de nuances poderosas e graciosas, que tem parte essencial na orquestra desde que foi inventado, em 1530, e um repertório com várias obras-primas dos principais compositores dos últimos 500 anos. Um exemplo é a sonata em Dó maior, de Prokofiev, para violoncelo e piano, neste link executada por um dos maiores violoncelistas da atualidade, Yo-YoMa e Emanuel Ax ao piano.

https://www.youtube.com/watch?v=NavQEijx3pE&list=PLKDCfS8I1K15fMJCi_OHZs9cKlFbvk9Tg&index=2

Entre os dias 7 e 20 de agosto acontece o 24º festival de violoncelos, o Rio Cello, em que músicos de toda parte do mundo se reúnem em espaços da cidade, bem como de Niterói, Volta Redonda, Cabo Frio e Florianópolis. Serão concertos envolvendo combinações do instrumento, como quartetos, trios, orquestras, além de apresentações de dança, de artes e palestras, sempre tendo o cello como protagonista. Uma alegria para quem gosta do instrumento e para quem quer conhecê-lo melhor.

Vale notar que neste ano o festival acontece devido ao trabalho voluntário de muita gente, sobretudo o de seu criador, o violoncelista inglês David Chew, que ao longo dos últimos 23 anos vem dedicando-se ao Rio Cello com impressionante afinco. Chew, que além de grande músico dedica-se a ensinar o instrumento em projetos de comunidades carentes, conta que nunca foi tão difícil encontrar patrocinadores para o Festival como em 2018, em que a prefeitura e o governo têm se mostrado completamente indiferentes. Sim, este ano o festival não tem um patrocinador sequer! Não fosse o empenho de Chew em diversas direções (como convidar amigos estrangeiros que estão pagando as próprias passagens para tocar e dar aulas nos projetos das diversas orquestras de adolescentes da cidade), o Rio Cello correria o risco de não acontecer depois de duas décadas de sucesso.

David Chew, idealizador do Rio Cello

Felizmente há a perseverança de pessoas na cidade que não estão dispostas a deixar a peteca cair, incluindo o apoio dos consulados britânico e alemão. O show vai continuar. O Rio Cello promete invadir a cidade com o belíssimo som dos violoncelos e com uma programação para todos os gostos durante quase 15 dias.

Perguntado sobre o que o violoncelo tem de especial, Chew responde:“É o instrumento mais capaz de imitar a expressividade da voz.  É a alma da voz humana.”

Mas a viola não teria também essa expressividade, David?

“O cello, você abraça. Por acaso se abraça uma viola?”.

Fico devendo uma coluna sobre a beleza das violas.

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Notas e Acordes

‘Domingos Clássicos Internacionais’ são concertos ótimos (os meus preferidos na cidade atualmente) que acontecem todos os domingos às 15 horas na Sala Baden Powell, com direção da pianista Fernanda Canaud. Neste domingo será a vez de “Os pequenos Mozart e Amadeus”, sob a direção de Suray Soren, conjunto de crianças a partir de três anos que se vestem como à época de Mozart e com um repertório de música clássica e MPB.



Tags: caderno b, cello, cultura, david chew, música

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