Jornal do Brasil

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

País - Opinião

Uma mancha na frase símbolo do estandarte nacional

Jornal do Brasil

Nos anos 20, a máfia influenciava governos em benefício próprio, para suas facilidades no contrabando de bebidas alcoolicas, que acompanhava o tráfico de drogas. Tudo sem o conhecimento das autoridades. Eles também tinham relações estreitas com políticos norte-americanos, entre eles senadores e chefes partidários.

A organização criminosa Odebrecht, essa sim, corrompia - como ainda deve corromper - os poderes, com os delatores admitindo inclusive que a empresa pagou mais de US$ 1 bilhão em propina a funcionários do governo em 12 países.

O valor equivale ao PIB de muitas nações. A delação envolve também governantes e parlamentares de nosso país. Hoje, se lê que eles também corromperam autoridades em outros lugares do mundo, inclusive o filho de ex-presidente do Panamá.

Nos preocupamos com a frase que ostenta o maior símbolo do país, nossa bandeira nacional. A curta sentença, que encoraja e dignifica o povo, é “Ordem e Progresso”. A Odebrecht manchou de vermelho e preto esse lema, ao fazer uma delação no exterior, desmoralizando tanto a "ordem" quanto o "progresso" com a frase da corrupção.

Sentimos, todos os brasileiros, o negro do luto. Brasileiros desempregados e trabalhadores. Brasileiros que viajam e os que vivem no exterior. Trabalhando ou gastando. Nos sentimos órfãos da nossa dignidade. Como os homens - ou assassinos - dessa empresa podem estar soltos?

Esses homens são assassinos, pois mataram a dignidade de um país que o mundo conhecia como “país do futuro”. Que futuro, depois das delações dessa quadrilha de delinquentes feitas nas justiças americana e suíça?

Quem são os mortos: a dignidade de um povo e de um país. Além das mortes pela falta de remédios nos hospitais, as mortes pelas balas perdidas, os natimortos. Estas são as tintas de sangue com as quais a Odebrecht fez com que a bandeira nacional fosse manchada por essa cor vermelha, como responsável por tudo isso.

Eles sentaram sobre minas de ouro pelos últimos quinze anos. A delação não foi antes por quê? Será que essa quadrilha de delinquentes pode pensar que no passado esses senhores eram limpos? Será que esses senhores não sabem que todos os outros delinquentes presidentes de empreiteiras já não tiveram em suas próprias empresas a lição que os senhores sabem tão bem dar, a lição da corrupção?

Querem proteger quem? Aqueles que escrevem memórias, por medo de serem delatados, e por isso os elogiam? Que quadrilha é esta que a justiça ainda permite fazer uma delação fajuta e mentirosa, cheias de equívocos, para que os juízes, ao julgarem, venham arquivá-las por falta de matéria legal, para que eles não possam ser processados?

Se o povo vaia, e quase agride parlamentares, sugerimos ao mesmo povo que faça uma reflexão sobre a violência maior, ao verem esses senhores pelas ruas. Se o povo não tem emprego, é por eles terem destruído a empresa responsável por 65% do PIB brasileiro.

Se o povo passa fome, é por causa da destruição causada por essa empresa e por esses delinquentes. Se o povo não tem remédio, é porque esses bandidos roubaram. Se a bala perdida atinge o inocente, é por causa dos criminosos fabricados por esses delinquentes.

O que espera a dignidade do povo para reagir de uma forma democrática, mas contundente contra essa empresa que pode alavancar o fim da democracia? O que espera a justiça para não tornar essa empresa e seus dirigentes - e todos que por ali passaram - inidôneos pelo resto da vida?

Se um parlamentar é cassado por cometer um crime, se a Ordem dos Advogados do Brasil ou o Clube de Engenharia expulsa seus filiados por cometerem um crime, o que está esperando a “Fiesp do pato” para proibir esses senhores de serem empresários no Brasil?

Como deve estar se sentindo o povo brasileiro no Natal do desemprego, do desespero, da falta de remédios e segurança, neste fim de ano no qual as crianças não têm nem mais o direito de acreditarem na ilusão do Papai Noel. Tudo isso contribuído de forma criminosa por essa empresa de delinquentes.

As únicas desculpas que o povo brasileiro pode pedir ao mundo, é dizendo que esses brasileiros não são mais brasileiros, são apátridas.

Tags: Corrupção, desemprego, fome, odebrecht, opinião, SAÚDE

Compartilhe: