Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

País - Opinião

Partido Novo quer lançar aliado de Collor para o Planalto em 2018

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Com registro de funcionamento obtido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) há menos de dois anos e com o lema de renovar a política, o Partido Novo anunciou que quer lançar como pré-candidato à Presidência da República em 2018 o dono da rede de lojas Riachuelo, Flávio Rocha.

O presidente do partido, João Amoêdo, deu a seguinte declaração ao jornal O Estado de S.Paulo: "Não falamos com Flávio Rocha ainda, mas ele é uma pessoa alinhada com os princípios do Novo e um bom gestor. Pode ser um nome”.

O leitor lembrará, no entanto, que o nome de Rocha é uma contradição para o Partido Novo, já a legenda quer oferecer ao eleitor brasileiro a novidade, e o nome escolhido para suceder Michel Temer traz como legado a velha política.

Flávio Rocha vem a ser correligionário e aliado do então presidente da República Fernando Collor de Mello, que sofreu processo de impeachment no início dos anos 90. Rocha elegeu-se deputado federal na esteira da eleição de Collor. Os dois integravam o PRN e Rocha filiou-se ao partido a convite de Fernando Collor. O presidente da Riachuelo era, à época, o presidente do diretório regional do PRN no Rio Grande do Norte.

Já em 1994, quando tentou se candidatar ao Planalto, a queda nas pesquisas eleitorais fez com que Rocha contratasse para sua campanha ex-assessores do ex-presidente Collor. À época, a Folha de S.Paulo resgatou as relações: "Um dos ex-coordenadores de campanha de Collor, Juca Colagrossi é o responsável pelo programa no horário eleitoral na TV. O ex-presidente da Embratur Ronaldo Monte Rosa é sócio da Ema Vídeo, responsável pela produção do programa de Rocha. O novo assessor de imprensa é o ex-presidente da Radiobrás no governo Collor Marcelo Netto".

Flávio Rocha aparece também em uma reportagem da revista Carta Capital, desta vez como empresário queixoso dos recursos do BNDES e "um dos mais barulhentos porta-vozes do empresariado nacional a defender o impeachment de Dilma Rousseff". Crítica da "política dos campeões nacionais do BNDES", o banco estatal de fomento da economia brasileira, chama atenção que o empresário tenha recebido financiamentos entre 2009 e 2006 na ordem de R$ 1,44 bilhão, além de ter isenção de 75% do Imposto de Renda na construção de fábricas no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Seria interessante se o Partido Novo se propusesse a explicar o perfil político e empresarial de seu pré-candidato a governante do Brasil. Afinal, de novo mesmo, não existe nada, é a repetição de vícios do país nas mais diferentes esferas.

Tags: 2018, brasil, candidatos, eleição, partidos, planalto, política, presidência

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