Jornal do Brasil

Terça-feira, 25 de Abril de 2017

País - Opinião

A Odebrecht e o ex-médico Abdelmassih

Empreiteira e executivos deveriam ter o mesmo destino de ginecologista estuprador

Jornal do Brasil

Guardadas as devidas proporções em suas devidas áreas, o que a Odebrecht vem fazendo com o Brasil nas últimas décadas e só agora ganhou as mídias massivamente é comparável aos atos do médico especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih.

Abusando do poder, o ginecologista que tinha uma clínica de fertilização se tornou um dos médicos mais ricos do Brasil, cometendo mais de 50 estupros em seu consultório e destroçando a dignidade das mulheres. A Odebrecht faz a mesma coisa com o Brasil: destrói quando deveria construir.

A Odebrecht se valeu de uma pátria adormecida para extorquir o máximo que conseguiu. Abdelmassih se aproveitou de mulheres sedadas para cometer seus estupros. Um queria construir e o outro queria procriar, os dois recebiam muito por isso e ainda assim queriam o gozo pessoal, para além dos benefícios que já recebiam em suas respectivas áreas de atuação.

Os destinos de ambos, porém, são por enquanto diferentes: o ex-médico está preso, e merece morrer na cadeia. No caso da Odebrecht, seus executivos delatam, livram as próprias peles e a da empresa, quando deveriam sofrer fortes sanções. Como como esses, que destruíram o Brasil, não têm o direito de empobrecer mais o povo, permitindo que a Justiça importe tornozeleiras eletrônicas quando esta deveria estar preocupada com remédios para os doentes, comida para os esfomeados e desemprego para a massa de desempregados que herdaram a hecatombe do Brasil contemporâneo.

Roger Abdelmassih, condenado a quase 300 anos de prisão por ter cometido mais de 50 estupros
Roger Abdelmassih, condenado a quase 300 anos de prisão por ter cometido mais de 50 estupros

Tags: brasil, contratos, Corrupção, crise, desemprego, economia, empreiteiras, lava jato, opinião, Petrobras, política, propina, suborno

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