RIO - O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Mariano Beltrame, afirmou na manhã deste domingo que a ocupação do complexo de favelas de São Carlos, na Zona Norte, já estava prevista e teve de ser adiada em função do destacamento de policiais militares e civis à Região Serrana do Estado, no atendimento às vítimas das chuvas de janeiro.
Em entrevista coletiva concedida por volta das 10h, Beltrame agradeceu o apoio da Polícia Federal e do Ministério da Defesa na operação, que contou com o uso de blindados da Marinha. "Esse trabalho não se encerra por aqui, hoje ou daqui a pouco. Nós temos que apresentar resultados à população", disse Beltrame.
De acordo com o secretário, a principal meta da operação é retomar a presença do Estado nas favelas antes dominadas por criminosos. Beltrame comemorou o fato de nenhum tiro ter sido disparado durante a operação, iniciada por volta das 4h. "Claro que a apreensão de drogas e armas é importante, mas, prioritariamente, o mais importante é a ocupação do território. Sem aumentar estatísticas de bala perdida, de autos de resistência (mortes em confronto com a polícia), de morte de civis", afirmou.
As comunidades ocupadas fazem parte de área turística da cidade, no entorno do Sambódromo e, de acordo com a Secretaria de Segurança estadual, abrigam 26 mil moradores.
No início da manhã, policias do Batalhão de Choque soltaram, simultaneamente, fogos que liberam uma fumaça azul nos morros do Escondidinho, Fallet e Fogueteiro, para sinalizar o sucesso da ação aos moradores.
Poucos moradores estavam nas ruas, mas alguns aproveitavam para fotografar a entrada da polícia da janela de suas casas. Pela manhã, a polícia vasculhou as comunidades à procura de drogas e suspeitos de envolvimento com o tráfico.
Dois menores, que saíam do morro do Fallet, tinham mandado de apreensão contra eles e, por isso, foram apreendidos. Quem for detido na operação será encaminhado para o Sambódromo, onde haverá uma triagem.
Megaoperação para novas UPPs
Ao todo, 846 homens participam da ocupação. Devido à extensão da área a ser ocupada, a Secretaria de Segurança procurou repetir o modelo de integração que foi bem-sucedido na ocupação do Complexo do Alemão. Participam 380 homens da Polícia Militar, 189 da Polícia Civil, 103 da Polícia Federal e 24 da Polícia Rodoviária Federal.
Para a proteção dos policiais, a Marinha do Brasil colocou à disposição 150 fuzileiros navais e 17 blindados, entre eles os chamados M113, e quatro anfíbios do modelo Clanf.
A operação vai ocupar nove comunidades: São Carlos, Zinco, Querosene, Mineira, Coroa, Fallet, Fogueteiro, Escondidinho e Prazeres, atendendo diretamente 26 mil moradores. Segundo a secretaria, levando-se em conta os 17 bairros do entorno, a população beneficiada soma 520 mil pessoas.
O Complexo do São Carlos vai receber três UPPs ao longo do primeiro semestre de 2011. São Carlos, Fallet/Fogueteiro e Prazeres/Escondidinho serão, respectivamente, a 15ª, a 16ª e a 17ª UPP do projeto de pacificação.