Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Sociedade Digital

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André Miceli


Digital de Tudo

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Por muito tempo, o desenvolvimento tecnológico obedeceu à ordem ética-técnica. Ou seja, primeiro os cientistas discutiam se uma potencial inovação seria viável do ponto de vista ético e só depois as técnicas que a implementavam eram desenvolvidas. Do século 19 em diante ficaram mais comuns os eventos que subverteram essa lógica. Passou-se a, primeiro, desenvolver as técnicas para só depois avaliar a inovação sob a perspectiva ética. Como no exemplo da ovelha Dolly, quando a grande discussão acerca da clonagem ganhou o mundo depois de ela já ter acontecido.

O mundo digital tem criado uma nova lógica de evolução, onde técnica e ética são discutidas lado a lado. Como num processo de retroalimentação. Essa evolução, que não pode ser revertida ou interrompida, pode ajudar a enfrentar grandes desafios, como fragmentação social e econômica, reduzir o desemprego e suportar o surgimento e a manutenção das instituições democráticas.

Grandes movimentações humanas e o caso dos imigrantes, reprodução assistida, intensificação da luta pelo fortalecimento da consciência social, envelhecimento da população, racismo, xenofobia e até mesmo o fim da morte são elementos afetados positiva ou negativamente por fenômenos tecnológicos como inteligência artificial, big data, fake news, mídias sociais, computação em nuvem, hackers, internet das coisas, realidade virtual, aumentada, computação móvel e muitos outros elementos que, juntos, montam uma nova sociedade. A sociedade digital. É ela e o lado digital de tudo o que está em nossas vidas que esta coluna tem, a partir de hoje, a pretensão de tratar.

Um novo Android 

Por mais de dois anos, um pequeno grupo de engenheiros da Alphabet, a dona do Google, vem trabalhando em um software com que eles esperam substituir o Android, o sistema operacional móvel mais utilizado no mundo. Conforme a equipe cresce, ela terá que superar algum debate interno acirrado sobre como o software funcionará. O projeto, conhecido como Fuchsia, foi criado a partir do zero para superar as limitações do Android à medida que mais dispositivos pessoais e outros gadgets entram em operação. Já se começa a experimentar o desenvolvimento de aplicativos para o sistema, como telas interativas e comandos de voz para o YouTube.

Mais difícil de encaminhar 

O Facebook está fazendo mudanças no WhatsApp com o objetivo de reduzir drasticamente as possibilidades de que sejam espalhadas fake news. O objetivo é dificultar o encaminhamento de mensagens para grupos muito grandes. O plano é limitar o número de pessoas para as quais os usuários podem encaminhar mensagens, tornando mais difícil uma informação se tornar viral. Como as notícias falsas se espalham cinco vezes mais rapidamente do que uma notícia convencional, o impacto nas fake news deve ser grande. Os usuários poderão encaminhar mensagens para apenas 20 pessoas. O limite anterior era superior a 250.

Mar bom para todos 

Os compradores gastaram US$ 4,2 bilhões durante o Prime Day Sale da Amazon.com. Apesar da varejista não divulgar a receita do evento de 36 horas, que começou na última segunda-feira da semana passada, analistas estimam que o número representa um aumento de mais de 30% em relação a 2017. As categorias que mais crescem são produtos para animais de estimação, artigos esportivos, mercearias e beleza, mostrando que o evento não se limita a acordos de compra de televisores e eletrônicos. É interessante observar os impactos diretos da iniciativa. Os comerciantes que vendem na plataforma da empresa viram as vendas aumentarem 28% durante as primeiras 30 horas do Prime Day em comparação ao evento do ano passado, que durou apenas 30 horas. É a prova de que uma maré alta eleva todos os navios.



Tags: andré miceli, big data, computadores, digital, internet

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