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Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Tom Leão

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Play. Stop. Rec. A fita cassete voltou?

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Dia desses, assisti ao documentário “Cassette: a documentary mixtape” (disponível no iTunes e Amazon), feito para celebrar os 50 anos da fita cassete. A mídia foi criada pelo engenheiro da Philips, o holandês Lou Ottens (ainda vivo, aos 90), em 1963 e exibida naquele mesmo ano numa feira de eletrônica em Berlim. Logo, os japoneses copiaram a ideia e Lou teve de ir a Tóquio pedir que, já que é para copiar, que, pelo menos, se criasse um padrão. Foi por isso, segundo ele, que o formato durou tanto tempo.

Hoje, com o cassete experimentando um revival, similar ao do vinil (já existem gravadoras, aqui e no exterior, produzindo novamente as fitas; além de um cassette day, como o record store day do vinil), é bom recordar como a fita cassete foi importante em sua época. A princípio – e com o uso de um aparelho gravador portátil, também lançado pela Philips – tornou possível não apenas levar a música “para viagem” (antes do conceito japonês do walkman, da Sony), como também gravar sons externos e músicas diretamente do rádio – além de possibilitar a cultura do bootleg, gravações piratas, ao vivo, de shows.

Lou Ottens (dir.) criou a cassete

Outra coisa bacana que o cassete possibilitou: a cultura da mixtape, aquela fitinha que você gravava, com amor e carinho, para algum amigo querido ou namorada. A seleção meticulosa das músicas e a arte das capas eram partes importantes do processo. Hoje, usa-se o termo “mixtape” para seleções de faixas digitais.

No começo da cultura hip-hop, o cassete foi importante por dois motivos: permitia gravar o set dos DJs (só havia como ouvir aquelas músicas nas festas, já que eram tocadas e mixadas em vinil, na hora) e, depois, carregá-las e divulgá-las através dos ghetto-blasters, aqueles potentes aparelhos de som portáteis.

Depois, as mixtapes foram parte importante do processo de divulgação da cena alternativa do rock. Qualquer um, com um pequeno estúdio portátil ou um bom microfone acoplado ao gravador, produzia seu próprio disco em casa e, depois, o distribuía, através das chamadas demo tapes, nos shows, festas, passando de mão em mão. Foi a primeira vez em que a música foi realmente livre. Existiu até uma gravadora em Nova York, a Roir (que, sequer é citada no documentário), que gravava e lançava bandas punk apenas no formato de fita cassete.

Curiosamente, Lou Ottens, que pontua o filme com suas lembranças das compact cassettes (como foram chamadas no começo), e que nos leva para conhecer um galpão da Philips, onde estão todos os aparelhos fabricados pela empresa, não tem a menor saudade das fitas, que ele considera um formato ultrapassado e obsoleto (de fato, as fitas nunca tiveram bom som ou durabilidade). Lou foi também um dos criadores do compact disc, o popular CD, que também já ficou ultrapassado. Como ele diz: é melhor sempre olhar para a frente. 

Hoje, com a música fluindo fácil, digitalmente e por serviços de streaming, como Deezer, Spotify e outros, a “volta” do cassete ficará restrita apenas a um pequeno grupo de cultuadores e fãs de mídia vintage. Mas sua importância jamais será apagada.

RUGIDOS

• Netflix e Blumhouse (dos filmes “Atividade paranormal”) se uniram para fazer a série de terror “Ghoul” (que terá três capítulos). Ela será coproduzida com a Phantom, da Índia, e vai ser lançada mundialmente em agosto. 

• O canal Curta! Está com uma série musical chamada “Os ímpares” (segunda-feira, 20h), sobre discos importantes dos anos 1970, que foram ignorados quando lançados. No cardápio, Walter Franco, Sergio Sampaio e outros. 

• Jason Momoa (o Aquaman da DC; E o Khal Drogo de “Game of thrones”), vai estrelar a série sci-fi “See”, que será produzida pela Apple. 

• A sexta temporada de “Orange is the new black” (Netflix), estreia mundialmente no primeiro minuto do dia 27 de julho. Tomara que seja melhor do que a anterior. Caiu muito.



Tags: cultura, fita cassete, netflix, streaming, tom leão

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