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Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Tom Leão

Colunistas - Tom Leão

O brilho de uma série tosca e divertida

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Os habitantes dos Estados Unidos, sobretudo, são fascinados por aquelas lutas livres, do tipo “armação”, que jogam no ringue estereótipos (raciais, políticos etc), tipos fantasiados e lutadores que estão mais para personagens de desenhos animados ou histórias em quadrinhos, do que para uma contenda de fato. É, basicamente, para fazer rir. Um circo.

Já fomos assim, fãs de luta livre, no Brasil, nos velhos tempos do telecatch (que dava audiência enorme e criou ídolos locais, como Ted Boy Marino e Verdugo). Os mexicanos, também adoram o estilo, e ainda cultuam suas funções de luchas libres (com aqueles lutadores mascarados e nomes como Santo e Blue Demon, que passam a máscara de pai para filho). Mas, é nos EUA que esse tipo de entretenimento reúne multidões e rende muito dinheiro e fama. Tanto quanto qualquer MMA. Que o digam The Rock e Hulk Hogan.

Mas existiu (ainda existe, só que, agora, em escala menor) uma equipe de lutadores de araque, formada apenas por mulheres. Foi criada especialmente para a TV, nos anos 1980. Chama-se G.L.O.W. (acrônimo para Gorgeous Ladies of Wrestling, ou ‘mulheres bonitas da luta’; mas, que também faz trocadilho com a palavra em inglês para “brilho”, já que elas usavam muita maquiagem, purpurina e trajes espalhafatosos). O programa, foi lançado em 1986; e, no Brasil, foi exibida no SBT, como “Luta livre de mulheres”.

Recentemente, uma série da Netflix (que acaba de voltar com sua segunda temporada), justamente chamada ‘Glow”, conta – ainda que de modo meio ficcional, no referente a seus personagens principais – a história desse grupo de lutadoras amadoras, que, depois de um começo bastante duro, fizeram fama e fortuna. A série se equilibra entre o humor e o drama, o que pode incomodar alguns, já que não se decide se é brega, como as lutas em si, ou se pretende ser uma trama com fundo histórico. Seja como for, deu certo. E retornou.

Contudo, neste segundo ano, notamos que um certo discurso atual impregnou os roteiros. As lutadoras, então, até já começavam a se preocupar com questões sociais pertinentes, referentes ao preconceito e machismo, aqui ou ali. Mas estavam no tablado para se divertir e ganhar dinheiro, sobretudo. Essa interferência no espírito da época, deixou a série um pouco mais dura. Porém, enquanto atores como Alison Brie (de “Community”, que interpreta uma lutadora soviet, Zoya) e Marc Maron (que faz Sam, o diretor rabugento; que sabe que está fazendo lixo e preferia estar dirigindo um filme de arte) estiverem nela, vale a vista. 

As lutadoras de “Glow”, série da Netflix

A produção do “Glow” original para a TV acabou em 1992, quando a empresa faliu (as lutas eram filmadas no Riviera Hotel, em Las Vegas; enquanto que, a série, se passa em Los Angeles). Mas, voltaram nos anos 2000, agora como um evento itinerante, que acontece em determinadas temporadas, em várias partes dos EUA. Eu iria ver uma luta dessas, se tivesse a oportunidade. Divertido, com certeza é.

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Rugidos

• Anne Rice, a escritora que fez dos vampiros seres cool, com seus livros do vampiro “Lestat”, terá uma série no Hulu, baseada em suas “Crônicas dos vampiros”. Lestat estará de volta, é claro. Ainda não há data da estreia. 

• A Nickelodeon, anunciou que está trazendo de volta os Rugrats, para uma nova série com 26 episódios. Simultaneamente, seu braço de cinema, a Paramount, fará um longa com os personagens, misturando CGI e live action. 

• O doutor da felicidade”, novo filme de Omar Sy (“Intocáveis”), estreou esta semana no Brasil, exclusivamente nos serviços de VOD (iTunes, Vivo, Google Play e Now). Nele, Sy faz Knock, um ex-presidiário que se passa por médico numa cidadezinha e acaba “curando” as pessoas com seu bom humor e positividade. *nacovadoleao.blogspot.com.br



Tags: glow, netflix, streaming, série, tom leão

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