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Não tem nenhum bandido em Bangu acusado de roubar tanto quanto Eike e Cabral

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Em 2013, eu escrevia o artigo "Uma história singular: O menino rico e o menino pobre, situações que persistem num Brasil ainda desigual", aqui para coluna do Jornal do Brasil. Era uma comparação da humilde vida do ajudante de pedreiro, assassinado na Rocinha, com a vida luxuosa de Eike.

O artigo dizia: "contrastes separam a história e o destino de um menino pobre e um menino rico. O segundo teve de tudo do bom e do melhor, estudou nas melhores escolas, se formou na Alemanha (...) às custas do pai que ganhou muito dinheiro fazendo obras megalomaníacas pagas pelo trabalhador brasileiro (...)aprendeu com a cabeça megalomaníaca do pai que o incentivou a ficar bilionário as custas do estado (...). Por outro lado, um menino preto, pobre e criado na favela, de uma família de muitos irmãos e de muita pobreza contava com a sorte para sobreviver num lugar perigoso e dominado pelo crime e pela miséria. 

O menino rico era apoiado pelo governo e pelos políticos, explorou petróleo (...) chegou a afirmar que seria o homem mais rico do mundo. Já o menino pobre, não pode estudar, teve que trabalhar desde cedo para sobreviver (...) Sete filhos e sua esposa, moravam em um cubículo sem banheiro, sem ventilação, um local insalubre e sem condições de moradia".

Hoje, vemos Eike, o mesmo que patrocinou a UPP que tirou a vida de Amarildo, alegando defender a segurança no Rio de Janeiro, sendo procurado pela Polícia Internacional. É considerado foragido e é acusado por pagamento de propinas milionárias ao então governador Sérgio Cabral, criador da UPP. 

Quanta hipocrisia. Eike e Cabral preocupados com os bandidos da favela, investiram em pacificação, como se fossem honestos e bonzinhos. Mas, na verdade não existe bandido nenhum dentro do Complexo Penitenciário em Bangu acusado por roubar tanto dinheiro, como estes dois. Aliás, arrisco dizer que nem se juntar todos crimes de assalto e tráfico dos presos chega perto do valor que estes são acusados de desviar. Eles têm sim que ficar em cela separada, não por serem ricos, mas por representarem perigo aos outros presos.  

Do homem que ostentava a Lamborghini enfeitando a sala a foragido internacional procurado pela Interpol. Infelizmente, a justiça não dará conta de punir tal sujeito como merecia, ressarcindo os que foram prejudicados. É fato que com o seu excelente advogado e com todos bilhões acumulados, ele conseguirá sair bem, se é que vai voltar ao Brasil. 

Enquanto isso, o Rio de Janeiro está em estado de calamidade, vivendo uma das piores crises financeiras. Os servidores e aposentados sem salários, greves, pessoas passando fome, a segurança, escolas, e hospitais um fracasso, cortes nos programas sociais. Tudo isso graças aos bandidos disfarçados de playboy que, repito, são os piores bandidos.

* Davison Coutinho, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestre em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade